Andre Sak
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Poder Executivo · agenda oficial

Quem tem a porta aberta no Palácio?

Quem o presidente da República recebeu entre 1º de janeiro de 2023 e 13 de agosto de 2026, por setor. O levantamento cobre os 1.321 dias do mandato, dia a dia, e lê cada compromisso individualmente.

  • 59,6%das 2.721 audiências do presidente são com o próprio governo federal
  • −89%nas audiências com o Congresso por 100 dias de agenda, de 2023 a 2026
  • 5,0:1audiências com o empresariado para cada uma com sindicatos e movimentos

Destaques

O universo

A Presidência publicou agenda em 993 dos 1.321 dias entre 1º de janeiro de 2023 e 13 de agosto de 2026, com 5.316 compromissos. O ritmo é estável: 5,6 por dia em 2023 e 5,2 em 2026. Dos 328 dias sem agenda, a maioria cai em sábado, domingo ou feriado — a Presidência não publica página nesses dias.

O acesso é majoritariamente interno

Das 2.721 audiências, 1.622 — 59,6% — são com o próprio governo federal. O bloco internacional responde por 599, ou 22,0%. Os dois somam 81,6% de tudo que o presidente recebeu.

A agenda se fecha ao longo do mandato

Corrigido o efeito do calendário, o contato com o próprio governo fica estável (169,4 por 100 dias em 2023, 160,1 em 2026), enquanto todos os interlocutores externos caem: estados e municípios −59%, chefes de Estado −58%, sindicatos −66%.

O Congresso é quem mais perde espaço

As audiências com parlamentares caem de 23,0 para 2,5 por 100 dias de agenda entre 2023 e 2026 — queda de 89%, a mais acentuada entre os interlocutores de fora do Executivo federal.

Empresariado e trabalho

O presidente recebeu o empresariado em 130 audiências e sindicatos e movimentos sociais em 26 — razão de 5,0 para 1. E a distância cresce: era 3,4:1 em 2023 e chega a 7,0:1 em 2026.

Nenhum grupo econômico tem acesso recorrente

As 130 audiências empresariais se distribuem por 126 grupos e entidades diferentes, dos quais 107 apareceram uma única vez. Os mais recebidos, a Confederação Nacional da Indústria, a Cosan e a Embraer, estiveram com o presidente 5 vezes cada em três anos e meio.

O que a agenda registra

A agenda oficial da Presidência é publicada por dia, com horário, título e local de cada compromisso.

  • 1.321dias do período01/01/2023 a 13/08/2026
  • 993dias com agenda publicada75,2% do período
  • 5.316compromissos registrados2023–2026

Os 328 dias sem agenda publicada não são lacuna do levantamento: a Presidência não cria página para fim de semana nem feriado.

Tabela 1 Compromissos por dia de agenda publicada, por ano
AnoDias com agendaCompromissosPor dia
20232781.5665,6
20242771.4435,2
20252751.4585,3
20261638495,2

Fonte: Agenda oficial do presidente da República, Presidência da República.

  1. Audiências 2.721
  2. Eventos 1.358
  3. Deslocamentos 1.067
  4. Comunicação 170
Gráfico 1 Compromissos da agenda presidencial por tipo, 2023 a 2026 Fonte: Agenda oficial do presidente da República, Presidência da República.

Receber alguém é a atividade dominante: 2.721 audiências, 51,2% do total. Os 1.358 eventos são atos com plateia — solenidades, posses, assinaturas, lançamentos, sessões de cúpula — em que o presidente discursa, e não encontros de trabalho. Os 1.067 deslocamentos são o custo logístico do cargo. O ritmo é estável ao longo do mandato: entre 5,2 e 5,6 compromissos por dia de agenda, em todos os anos.

O contato remoto é residual. Ligações, telefonemas e videoconferências somam 118 audiências no mandato inteiro — 4,3% do total. O encontro presencial continua sendo a forma de acesso ao presidente.

Onde o presidente esteve

Cada compromisso da agenda traz o local. A leitura dos 1.121 endereços distintos que aparecem no período mostra a geografia real do mandato.

  1. Palácios do presidente 2.638
  2. Outro lugar no Brasil 1.011
  3. Instalação oficial brasileira 754
  4. No exterior 808
Gráfico 2 Compromissos por tipo de local, 2023 a 2026 Fonte: Agenda oficial do presidente da República, Presidência da República.

Quase metade de tudo acontece dentro de três endereços. Palácio do Planalto, Palácio da Alvorada e Granja do Torto concentram 2.638 compromissos, 49,6% do mandato.

Somados a outras instalações oficiais brasileiras — Itamaraty, bases aéreas, ministérios — e a lugares públicos no Brasil, chega-se a 82,8% dos compromissos em território nacional. As viagens internacionais respondem por 808 compromissos, 15,2% do período: é a fatia em que o presidente vai até o interlocutor.

Dentro do Brasil, o Palácio do Planalto sozinho responde por 2.157 compromissos. É lá que a agenda do presidente acontece.

Quem entra no Palácio

O título de cada audiência nomeia quem esteve na sala, e frequentemente mais de uma pessoa. Uma audiência com um ministro e um empresário é contada nos dois grupos.

  1. Governo federal 1.622
  2. Chefes de Estado 472
  3. Congresso 109
  4. Estados e municípios 105
  5. Organismos internacionais 89
  6. Estatais 85
  7. Empresa estrangeira 75
  8. Empresa nacional 40
  9. Outros estrangeiros 38
  10. Sociedade civil e academia 37
  11. Entidades empresariais 34
  12. Pessoas físicas 32
Gráfico 3 Audiências por tipo de interlocutor, 2023 a 2026 Fonte: Agenda oficial do presidente da República, Presidência da República.

Seis em cada dez audiências do presidente são com a própria equipe. Ministros, secretários e dirigentes do Executivo federal aparecem em 1.622 das 2.721 audiências. É a rotina de despacho: Casa Civil, Fazenda, Relações Institucionais e Secretaria-Geral se repetem semana após semana.

O segundo bloco é a diplomacia. Chefes de Estado e de governo estrangeiros estiveram em 472 audiências (17,3%) e organismos internacionais em 89. Somado a outras autoridades estrangeiras, o bloco internacional chega a 599 audiências, 22,0% do total.

Fora do governo e da diplomacia, o acesso é escasso. O Congresso aparece em 109 audiências; governadores e prefeitos, em 105; as estatais federais, em 85; o empresariado, em 130. Sindicatos e movimentos sociais, em 26; entidades da sociedade civil e da academia, em 37; povos indígenas e quilombolas, em 6.

A agenda se fecha

Contar audiências por ano confunde comportamento com calendário: 2026 tem 163 dias de agenda contra 278 em 2023. Normalizando por 100 dias de agenda publicada, a comparação fica limpa.

  • 2023
  • 2026
  1. Governo federal −5%
  2. Sociedade civil e academia −32%
  3. Chefes de Estado −58%
  4. Estados e municípios −59%
  5. Sindicatos e movimentos −66%
  6. Congresso −89%
Gráfico 4 Audiências por 100 dias de agenda publicada, por tipo de interlocutor: 2023 contra 2026 Fonte: Agenda oficial do presidente da República, Presidência da República.

O contato com o próprio governo não muda; o contato com todo o resto encolhe. O governo federal sai de 169,4 para 160,1 audiências por 100 dias — praticamente o mesmo. Nenhum outro grupo se sustenta.

Tabela 2 Audiências por 100 dias de agenda publicada, por tipo de interlocutor e ano
Interlocutor 2023202420252026 Variação
Governo federal 169,4150,9171,6160,1 −5%
Chefes de Estado 67,343,043,628,2 −58%
Estados e municípios 15,114,15,16,1 −59%
Congresso 23,09,75,12,5 −89%
Estatais federais 17,39,73,30,6 −96%
Sociedade civil e academia 3,62,55,82,5 −32%
Sindicatos e movimentos 3,63,21,81,2 −66%

Fonte: Agenda oficial do presidente da República, Presidência da República.

O Congresso sai da agenda

De todos os interlocutores de fora do Executivo federal, o Legislativo é o que mais perde espaço na agenda presidencial ao longo do mandato.

Gráfico 5 Audiências com parlamentares por 100 dias de agenda publicada, 2023 a 2026 Fonte: Agenda oficial do presidente da República, Presidência da República.

De 23,0 audiências por 100 dias em 2023 para 2,5 em 2026 — queda de 89%. Em números absolutos: 64 audiências com parlamentares em 2023 contra 4 em 2026.

A queda é contínua, não um degrau: 23,0 em 2023, 9,7 em 2024, 5,1 em 2025 e 2,5 em 2026. Cada ano recebe menos parlamentares que o anterior.

O contraste com o próprio governo é o que dá dimensão ao movimento: enquanto o Congresso cai 89%, o contato com ministros e secretários varia −5%. A agenda não encolheu — ela se redistribuiu para dentro.

Empresariado e trabalho

Empresas e entidades empresariais de um lado; sindicatos, centrais e movimentos sociais de outro. A razão entre os dois mede a quem a porta do Palácio se abre.

  • 130audiências com o empresariado2023–2026
  • 26com sindicatos e movimentos2023–2026
  • 5,0:1razão no mandatoempresariado por sindicato
  • Empresariado
  • Sindicatos e movimentos
Gráfico 6 Audiências com o empresariado e com sindicatos e movimentos, por 100 dias de agenda publicada, 2023 a 2026 Fonte: Agenda oficial do presidente da República, Presidência da República.

A distância entre os dois cresce ao longo do mandato. A razão vai de 3,4:1 em 2023 para 7,0:1 em 2026 — e a mudança vem dos dois lados: o empresariado sobe de 12,2 para 18,8 audiências por 100 dias entre 2023 e 2024, enquanto os sindicatos caem de 3,6 para 1,2.

Tabela 3 Audiências com empresariado e com sindicatos e movimentos, por ano
AnoEmpresariadoSindicatosRazão
202334103,4:1
20245295,8:1
20253056,0:1
20261427,0:1

Fonte: Agenda oficial do presidente da República, Presidência da República.

Quem é o empresariado recebido

As 130 audiências empresariais não se concentram em poucos grupos: distribuem-se por 126 grupos e entidades diferentes, e 24 delas não nomeiam empresa nenhuma.

107 dos 126 grupos e entidades apareceram uma única vez no mandato inteiro. Nenhum grupo econômico tem acesso recorrente à agenda do presidente.

  • Audiência só do grupo
  • Reunião de setor
  1. CNI 5
  2. Cosan 5
  3. Embraer 5
  4. ANFAVEA 3
  5. BYD 3
  6. Fiesp 3
  7. Sebrae 3
  8. Shell 3
  9. Telefónica 3
  10. ABIEC 2
  11. Banco Santander 2
  12. Be8 2
  13. CCCC 2
  14. General Motors 2
  15. Grupo ArcelorMittal 2
  16. Stellantis 2
  17. TIM 2
  18. UNICA 2
  19. Vale 2
Gráfico 7 Grupos econômicos e entidades empresariais recebidos mais de uma vez, por número de audiências, 2023 a 2026 Fonte: Agenda oficial do presidente da República, Presidência da República.

Os mais recebidos são a Confederação Nacional da Indústria, a Cosan e a Embraer, com 5 audiências cada em três anos e meio — menos de duas por ano. Nem todas são encontro do próprio grupo: uma da CNI, uma da Embraer e duas da Cosan foram reuniões de setor, com outras empresas na mesma sala.

Por origem do capital, as audiências se dividem assim: empresas estrangeiras em 75, empresas nacionais em 40 e entidades de representação — Fiesp, CNI, Sebrae, associações setoriais — em 34.

Entidade citada como assunto do ato não foi contada como presença. Um anúncio de investimentos de uma empresa, ou a assinatura de um contrato de um banco, não registra encontro com aquela empresa: registra um ato sobre ela. Só entra na contagem quem a agenda apresenta como estando na sala.

Quem acompanha o presidente

Além do título, a Presidência publica em parte dos compromissos uma lista de participantes. São 359 compromissos com essa lista — 6,8% do total.

  1. Rui Costa 127
  2. Fernando Haddad 86
  3. Esther Dweck 39
  4. Jorge Messias 39
  5. Alexandre Padilha 35
  6. Dario Durigan 30
  7. Alexandre Silveira 30
  8. Miriam Belchior 28
  9. Geraldo Alckmin 26
  10. Sidônio Palmeira 23
  11. Márcio Macêdo 22
  12. Bruno Moretti 20
Gráfico 8 Pessoas que mais aparecem nas listas de participantes publicadas pela Presidência, 2023 a 2026 Fonte: Agenda oficial do presidente da República, Presidência da República.

A lista revela o núcleo que acompanha o presidente nas reuniões: ministros da Casa Civil, da Fazenda, das Relações Institucionais e da Secretaria de Comunicação Social aparecem com frequência ao lado dele, mesmo quando o título do compromisso nomeia outra pessoa.

Esse campo não serve para comparar anos. A prática de publicá-lo mudou ao longo do mandato: a lista apareceu em 49 compromissos em 2023 e em 154 em 2024. A variação mede a mudança na prática de publicação, não no comportamento do presidente.

Fontes e critérios

Fontes

  1. Agenda oficial do presidente da República — Presidência da República. Compromissos publicados de 1º de janeiro de 2023 a 13 de agosto de 2026. gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/agenda-do-presidente-da-republica
  2. e-Agendas — Controladoria-Geral da União. Registros de compromissos de agentes públicos federais, usados para confronto com a agenda presidencial. eagendas.cgu.gov.br

Composição dos grupos

Governo federal: ministros, secretários e dirigentes de órgãos do Executivo federal. Estatais federais: Petrobras, BNDES, Caixa, Banco do Brasil, Correios, Embrapa, ApexBrasil e demais empresas e autarquias. Congresso: deputados, senadores, mesas das Casas e o TCU; o líder do governo no Congresso é contado aqui, por ser parlamentar. Estados e municípios: governadores, prefeitos e consórcios federativos. Empresariado: empresas brasileiras, empresas estrangeiras e entidades de representação empresarial. Sindicatos e movimentos: centrais sindicais, sindicatos e movimentos populares. Sociedade civil e academia: reitores, pesquisadores, ONGs e conselhos com cadeira da sociedade civil.

Critérios

Cada compromisso foi lido individualmente para identificar o tipo de atividade e os participantes nomeados. Uma audiência com interlocutores de tipos diferentes é contada em cada tipo, e por isso a soma dos grupos excede o total de audiências.

A normalização por 100 dias de agenda publicada corrige o efeito do calendário e torna os anos comparáveis entre si.

Empresas foram reunidas por grupo econômico: a agenda escreve a mesma casa com vários nomes, às vezes na mesma audiência, e filiais e braços regionais contam como um grupo só.

Limites da fonte

O objeto da conversa quase nunca é declarado. A agenda diz com quem o presidente se reuniu, não sobre o quê. Perguntas sobre tema ou área de interesse não podem ser respondidas por essa fonte.

Nem tudo entra. Em 13 de agosto de 2026 a agenda oficial publicou dois compromissos; a agenda distribuída à imprensa naquele dia trazia três, incluindo uma gravação de vídeos de campanha em endereço particular. A diferença não é regra fixa: atividade partidária entra na agenda em outros momentos, como as convenções do PT e do PSOL em julho e agosto de 2024.

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